quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Uma poeta capixaba

O breu

Elisa Lucinda

Elisa Lucinda

Breu, meu eu, Deus meu
Alguém chamou minha mãe e não pediu a mim
Alguém de algum Deus, algum querubim
Retirou-a de cena sem a minha permissão
Alguém arrancou-me o umbigo sem falar comigo
Algum, de alguma misteriosa verdade, puxou-lhe o fio da vida,
A echarpe, a pipa, a idade.
Alguém anjo a levou pra compor outro coral
Alguém roubou de mim a sua voz e a sua música que era o meu melhor vento
Adeus moqueca, adeus corvento,
Alguém levou meu mundo, meu invento, minha bruxa boa, meu ungüento
Eu tô ainda de vestido azul de bolinha, calcinha de babado, sentada na calçada, sozinha
Minha mãe não está na cozinha, no piano, na aula, na vizinha
Alguém badalou meia-noite e a Cinderela virou açoite, pernoite
É breu, Deus...
um buraco fundo, um vão sem chão, o infortúnio
Eu quero ao menos que, ao morrer o criador, não se vá também a criatura.
Está escuro, quero luz, dá-me a luz...
Alguém desatarraxou daqui minha lâmpada maravilhosa
Agora não posso mais ter febre;
agora ninguém mais reza e não há compressa;
agora eu estou com pressa.

Para refletir

E agora, José?

Carlos Drummond de Andrade


A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José ?

e agora, você ?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama protesta,

e agora, José ?

Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José ?

E agora, José ?

Sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio - e agora ?

Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora ?

Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse…

Mas você não morre,

você é duro, José !

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José !

José, pra onde ?


Alunos do Gomes produzem vídeo a partir de poema de Elisa Lucinda

O terceiro ano A está nas etapas finais da produção de um vídeo a partir do poema "Espíritossantinho", da escritora Elisa Lucinda. O trabalho foi feito com imagens e fotografias que buscam ilustrar, de maneira criativa, o texto da poeta capixaba.

Depois de finalizado, o vídeo deverá ser exibido na escola, para alunos, professores e comunidade.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Poesia em Video


O aluno do 2º Ano M2 da Escola "Gomes Cardim" Carlos Roberto é um poeta. Nos trabalhos de português deste bimestre, ele se destacou, junto com outros colegas, na interpretação e leitura de textos do gênero lírico ou poético. Para a Mostra, Carlos gravou dois poemas, ambos de Cecília Meirelles.


Além dele, Laila Hendrik e Rônei também gravaram, sendo que Laila leu um texto de Elisa Lucinda e Ronei fez uma adaptação para "Rap" de "Os ombros suportam o mundo", de Carlos Drummond de Andrade.

Caderno de Receitas Inglês-Português


Os alunos da disciplina de Inglês estão aprendendo a dizer os nomes dos pratos preferidos na língua do Velho Bardo. E não só isso: também seus ingredientes e modo de preparo. O resultado do trabalho será um Caderno de Receitas produzido por eles e, quem sabe, com direito a um aperitivo no dia da Mostra.


Bom, parece que, para não fazer feio no dia, a galera já começou a treinar os pratos, através dos cafés promovidos nas aulas, com direito a bolo, sucos e tortas. Todo mundo feliz, é isso aí.

Aventura na Gruta


Conhecido pela lenda capixaba imortalizada pela folclorista Maria Stella de Novaes, a história de um tapuia que é surpreendido por uma onça gigantesca, o Parque Municipal Gruta da Onça, situado no Centro de Vitória, foi visitado no dia 30 de junho por alunos da Escola "Gomes Cardim". O objetivo era coletar material fotográfico que servisse à exposição de fotografias que será montada para a Mostra Cultural. Além disso, com as imagens, os alunos desenvolverão slides. A novidade são as poesias que atravessarão as apresentações digitais. Produzidas pelos estudantes, elas darão o tom multi-disciplinar ao trabalho: se em Biologia, aprendem o que é, por exemplo, mutualismo e parasitismo, como compreender, na vida em sociedade, o significado desses termos? Quem são os parasitas de nosso país? E quem trabalha de forma equilibrada para gerar uma nação melhor, sem exploração? É o que os alunos pretendem descobrir...

Escola "Gomes Cardim" promove Mostra Cultural

A Escola "Gomes Cardim" promove nesta sexta e sábado, 03 e 04 de julho, sua tradicional Mostra Cultural. O evento contará com apresentações dos trabalhos produzidos pelos alunos, com orientação dos professores, durante o primeiro semestre letivo. Haverá exposição de fotos feitas na aula de campo no Parque Muncipal Gruta da Onça, para o projeto "Interações", que reuniu as disciplinas Biologia e Português, maquetes, slides e banners num giro pelas "Maravilhas do Mundo", promovido pelas disciplinas de Geografia e Filosofia, além de cadernos de receitas bilíngues, experimentos científicos e muitos outros trabalhos.